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Luciene Matos

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Entre mim e mim,
há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.
Descem pela água
minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar,
e investiga o elemento que a atinge.

Mas, nesta aventura do sonho
exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito
das respostas que não se encontram.

Virei-me sobre a minha própria existência,
e contemplei-a
Minha virtude era esta errância
por mares contraditórios,
e este abandono para além
da felicidade e da beleza.

Ó meu Deus, isto é a minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera...

Cecilia Meireles

Calendário Lunar

CURRENT MOON
 

Olá!!!

Este espaço está aberto apens para os amigos e se vc chegou até aqui, é porque é um deles. Alguém que de alguma forma participa da minha vida...

Assim este espaço é também seu.  Venha sempre, fique o quanto quiser e deixe seus recados. É sempre muito bom para mim ter vcs por perto!!

BJs

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CORAÇÃO PAGÃO

”Conhece alguém as fronteiras à sua alma para que possa dizer – eu sou eu? ... mas sei que o que sinto, sinto-o eu”
 

Labirinto

 

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Em mim te perco, aparição noturna
Neste bosque de enganos, nesta ausência;
Na cinza nevoenta da distância,
No longo corredor de portas falsas.

De tudo se faz nada, e esse nada
De um corpo vivo logo se povoa,
Como as ilhas do sonho que flutuam,
Brumosas, na memória regressada.

Em mim te perco, digo, quando a noite
Vem sobre a boca colocar o selo
Do enigma que, dito ressuscita
E se envolve nos fumos do segredo.

Nas voltas e revoltas que me ensombram,
No cego tatear de olhos abertos,
Qual o labirinto a porta máxima,
Onde a réstia de sol, os passos certos?

Em mim te perco, insisto, em mim te fujo,
Em mim cristais se fundem, se estilhaçam,
Mas quando o corpo quebra de cansado
Em ti me venço e salvo, me encontro em ti.


José Saramago In Os Poemas Possíveis

Mais Gibran - Fragmentos

 
 
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                       A tua vida, meu amigo, é uma ilha separada de todas as outras ilhas e de todos os outros continentes. Independentemente dos barcos que enviares a outras praias ou dos barcos que acostarem às tuas praias, tu mesmo és uma ilha separada pelas próprias dores, isolada na sua felicidade, distante na sua compaixão e escondida nos seus segredos e mistérios.

 

(Khalil Gibran in Espelhos da Alma)

 
 
mulher nuvem 
                         

                  O desespero, May, é a onda mais baixa da maré do coração. O desespero, May, é um sentimento sem voz. Por isso é que eu costumava sentar-me à tua frente durante aqueles longos meses, olhando o teu rosto sem nada dizer. Por isso é que não escrevi quando me cabia a mim fazê-lo. Por isso é que costumava sussurrar para mim mesmo "já não tenho nenhum papel a desempenhar." Mas no coração de cada Inverno palpita uma primavera, e por detrás do véu de cada noite existe uma manhã sorridente; e assim o meu desespero tornou-se numa forma de esperança.

 

(Khalil Gibran in As mais belas cartas de Amor )

Temporais

 

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Sou um estrangeiro neste mundo.
Sou um estrangeiro, e há na vida do estrangeiro uma solidão pesada e um isolamento doloroso. Sou assim levado a pensar sempre numa pátria encantada que não conheço, e a sonhar com os sortilégios de uma terra longínqua que nunca visitei.


Sou um estrangeiro para minha alma. Quando minha língua fala, meu ouvido estranha-lhe a voz. Quando meu Eu interior ri ou chora, ou se entusiasma, ou treme, meu outro Eu estranha o que ouve e vê, e minha alma interroga minha alma. Mas permaneço desconhecido e oculto, velado pelo nevoeiro, envolto no silêncio. (...)

Sou um estrangeiro neste mundo.
Sou um poeta que põe em prosa o que a vida põe em versos, e em versos o que a vida põe em prosa. Por isto, permanecerei um estrangeiro até que a morte me rapte e me leve para minha pátria.

(Extraído de “Temporais”- Khalil Gibran)

Fragmentos

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“A vida é assim, está cheia de palavras que não valem a pena, ou que já valeram e já não valem, cada uma que ainda formos dizendo, tirará o lugar de outra mais merecedora que o seria não tanto por si mesma, mas pela conseqüência de tê-las dito (...)

(...) há quem leve a vida inteira a ler sem nunca ter conseguido ir mais além da leitura, ficam pegados a página, não percebem que as palavras são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que possamos chegar á outra margem, a outra margem é que importa(...)”

(...)muitas das palavras não passavam de cortinas de fumo, circunstância por outro lado nada estranhável porque as palavras, muitas vezes, só para isso servem, mas há pior ainda, que é quando elas se calam de todo e se convertem num muro de silêncio compacto(...)

                                                                                     Jose Saramago in A Caverna

 

Encontro das Águas

 

 

 

Sem querer
te perdi tentando te encontrar
por te amar demais sofri, amor
me senti traído e traidor

Fui cruel
sem saber que entre o bem e o mal
Deus criou um laço forte, um nó
e quem viverá um lado só?

A paixão veio assim
afluente sem fim, rio que não deságua
Aprendi com a dor
nada mais é o amor, que o encontro das águas

Esse amor
hoje vai pra nunca mais voltar
como faz o velho pescador
quando sabe que é a vez do mar

Qual de nós
foi buscar o que já viu partir,
quis gritar, mas segurou a voz,
quis chorar, mas conseguiu sorrir?

Quem eu sou pra querer entender o amor...

Jorge Vercilo



Fênix


  

Eu, prisioneiro meu
descobri no breu, uma constelação
Céus, conheci os céus pelos olhos seus
Véu de comtemplação.

Deus, condenado eu fui
a forjar o amor no aço do rancor
e a transpor as leis mesquinhas dos mortais
Vou entre a redenção e o esplendor
de por você viver

Sim, quis sair de mim
esquecer quem sou
e respirar por ti
e assim transpor as leis mesquinhas dos mortais

Agoniza, virgem Fênix (O amor)
entre cinzas, arco-íris e esplendor
por viver às juras de satisfazer o ego mortal.

Coisa pequenina, centelha divina,
renasceu das cinzas, onde foi ruína
pássaro ferido hoje é paraíso
Luz da minha vida, pedra de alquimia
Tudo o que eu queria, renascer das cinzas

Quando o frio vem nos aquecer o coração
Quando a noite faz nascer a luz da escuridão
e a dor revela a mais esplêndida emoção, o amor

Jorge Vecilo

Que se Danem os Nós

 

  

Vim gastando meus sapatos
Me livrando de alguns pesos
Perdoando meus enganos
Desfazendo minhas malas
Talvez assim chegar mais perto

Vim achei que eu me acompanhava
E ficava confiante
Outra hora era o nada
A vida presa num barbante
E eu quem dava o nó

Eu lembrava de nós dois
Mas já cansava de esperar
E tão só eu me sentia
E seguia a procurar
Esse algo alguma coisa
Alguém que fosse me acompanhar

Se há alguém no ar
Responda se eu chamar
Alguém gritou meu nome
Ou eu quis escutar

Vem, eu sei que está tão perto
E por que não me responde
Se também tuas esperas
Te levaram pra bem longe
É longe esse lugar

Vem, nunca é tarde ou distante
Pra te contar os meus segredos
A vida solta num instante
Tenho coragem, tenho medo sim
Que se danem os nós

Ana Carolina   

CORSÁRIO

 
 
 
 

Meu coração tropical
está coberto de neve
Mas ferve em seu cofre gelado
a voz vibra e a mão escreve mar...

Bendita lâmina grave,
que fere a parede e traz
As febres loucas e breves
que mancham o silêncio e o cais

Roserais, Nova Granada de Espanha
por você, eu teu corsário preso
vou partir a geleira azul da solidão
e buscar a mão do mar,
me arrastar até o mar, procurar o mar...

Mesmo que eu mande em garrafas,
mensagens por todo o mar
meu coração tropical partirá esse gelo
e irá como as garrafas de náufragos
e as rosas partindo o ar...

 Elis Regina  

QUE NOS BASTE...

 

 

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites, manhãs e madrugadas em que não  precisamos de morrer. Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra em nós uma grande serenidade, e dizem-se as palavras que a significam.
Levantemos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos. Com doçura. Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres como a água, a pedra e a raiz. Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.
  

                                                     J  SARAMAGO 

"NADA A DECLARAR"

 

 

Após longa viagem, fatigado
Tendo mesmo acabado de aterrar,
Fui eu, portas saindo, perguntado
Se não havia nada a declarar.

Declaro um grande amor feito em pedaços
Arrastado pelas ruas da amargura
Que quer sobreviver a mil cansaços
E a muitas ilusões contranatura

Declaro que vivi, serenamente.
Que amei da forma que sabia amar.
Confesso que falhei, redondamente,
No que era o tempo e a forma de o expressar.

Declaro, se isso faz algum sentido,
E sem qu'rer implorar pena de mim,
Que voei meia viagem distraído
E não cuidei das flores do meu jardim.

Mais declaro que trago na bagagem
O desgaste natural que o tempo faz.
Confesso que no fim desta viagem
Só queria um doce abraço e alguma paz.

E quanto ao que me estava a perguntar,
Declaro nada ter a declarar...

  Aníbal Raposo  

 

Meus Vídeos No YouTube

 

”Sonhamos paisagens, compramos passagem e nunca voamos pra lá. Enfim, passeia tua boca em mim até me calar. Aqui ainda parece o melhor lugar” (Jorge Vercilo)

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For the First Time (tradução)

 

AMAZÔNIA PARA SEMPRE!!!